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   A face oculta de
Gonquer Zá-Sezano

Por que Laponiel Sezano era tâo perverso

Gonquer Zá-Sezano sofria amargurado ao perceber que seu próprio filho havia se tornado seu pior inimigo. Mas ainda restava um fôlego de esperança em seu coração traspassado de dor. Planejava amolecer o coração de Laponiel com afetuosas palavras de carinho disposto a perdoar-lhe todas as atrocidades que cometera, se necessário, até mesmo implorar-lhe seu amor. Como Laponiel Sezano, um filho tão perverso e rebelde conseguia compaixão e amor ilimitados da parte de seu pai? A resposta está inteiramente ligada a um nome: Rublis Memboa, a atraente esposa de Gonquer Zá-Sezano...

Quando se conheceram, Gonquer ainda era Chefe do Exército de Bolibama Tílio, o primeiro rei protariano. Rublis e Gonquer se amavam profundamente e logo se casaram. Infelizmente mais tarde Gonquer descobriu que sua querida esposa era estéril, o que certamente dificultaria seu sonho de continuar a quase extinta geração do clã dos poderosos Zá-Sezãos (como se chamavam todos os Zá-Sezanos). Todos os Zá-Sezãos, exceto Gonquer, já haviam sido exterminados em guerras protarianas, visto serem grandes e famosos guerreiros. Sendo o último de sua linhagem Gonquer esperava erguê-la novamente por meio de Rublis Memboa e seus possíveis filhos. Arrasado com a idéia de que Rublis jamais lhe concederia filhos, Gonquer injustamente começou a menosprezá-la e odiá-la até que finalmente perdeu todo o amor que tinha por ela. Se tornou tão desprezível que chegou a ponto de desejar uma nova e fértil esposa. Mas segundo a lei para o casamento estipulada por Bolibama Tílio, qualquer protariano (inclusive ele próprio) deveria casar-se apenas com uma só esposa, vivendo com ela até o fim de seus dias. Se fosse desrespeitada tal lei, não importando se era soldado, camponês, membro da corte ou rei, a pessoa era punida com a morte.

Gonquer Zá-Sezano percebeu então que cometeu um erro fatal ao se casar as escodidas com Rublis, sem o consentimento dos pais dela. "Estou sufocado pelas inúmeras leis de Bolibama Tílio, encontrarei um meio de romper essas correntes que me impossibilitam de realizar meus desejos", argumentava constantemente. Desse dia em diante Gonquer passou a sonhar em criar um novo império, uma nação que pudesse ser rei e criar suas próprias leis, inclusive a depravada lei para os protarianos de que o rei poderia escolher quantas esposas desejasse. Às escondidas colocava em prática seus planos com outros protarianos fascinados pelas suas idéias, e cada vez mais surgiam protarianos para apoiarem sua causa. Logo se tornaram tantos que decidiram realizar uma colossal fuga das cidades protarianas visto que se tornaram muito mais em número do que os próprios protarianos. Com hábeis batedores Gonquer se comunicava com protarianos traidores de outras cidades para combinarem o dia e o instante exato em que os pró-Gonquer (protarianos leais à Gonquer) abandonariam suas cidades e se juntariam a ele para tomar o mais poderoso distrito protariano que encontrava-se isolado dos demais. Ali, Gonquer Zá-Sezano formaria uma nova nação com novas leis e com um novo nome:Trophir.

O prophanus (dia da libertação) caiu numa noite chuvosa em que Bolibama Tílio e seu povo celebravam datas festivas. Não havia época mais propícia do que essa em que grande parte do exército de Tílio estavam de dispensa do serviço para o "descanço anual". Todos os pró-Gonquer estavam preparados e também fortemente equipados para uma possível batalha que poderiam travar contra a "Resistência Protariana" (as fileiras que nunca descansavam). Não existe nenhum registro protariano ou trophano que conte como foram os agonizantes dias do prophanus, exceto um pequeno pergaminho escrito por Molosso Gaal que narrava o seguinte: " Era o décimo terceiro dia do oitavo mês, sexto dia da semana e também sexto dia daquele interminável conflito horrendo, mas justificável pois nos presenteou com a tão almejada liberdade. Eu, Molosso Gaal, Conselheiro-Chefe do grande Gonquer Zá-Sezano relato o episódio mais macabro de sua vida. O dia em que o último sucessor da linhagem Zá-Sezaônica comete sua pior barbárie contra uma indefesa mulher que afirmava ser Rublis Memboa, sua primeira esposa de há muito desaparecida. Desesperadamente tal mulher se chegou perante nosso líder com um bebê em seus braços. Com um olhar extremamente agressivo, o Grande Gonquer fitou-a por um instante paralizado e visto estar fora de si devido ao vinho arrancou o bebê de seus braços, logo em seguida após chamá-la de "prostituta" tomou um grande machado de um soldado próximo a ele e investiu rapidamente contra Rublis partindo-a ao meio com um só golpe. Enquanto eu avistava aterrorizado o ocorrido á distância, imediatamente chegou-se à Gonquer um mensageiro, provavelmente o mesmo que havia encaminhado Rublis para encontrá-lo, que desesperadamente lhe falara: 'O que você acabou de fazer, meu rei? Essa era Rublis, sua esposa! E esse bebê que está segurando é seu filho! Seu filho, por intermédio de Rublis, que deixou de ser estéril!'. Logo após ouvir as palavras do mensageiro, Gonquer caiu imediatamente com as costas ao chão e não se levantou da cama por vários dias. O primeiro dia que levantou-se correu e chegou-se a mim derramando lágrimas de arrependimento sem parar. Chorou perante mim um dia inteiro até que finalmente me fez jurar que jamais contaria á seu filho a atrocidade que havia cometido contra Rublis, e que escondesse esse fatídico episódio de todo o povo, enterrando-o para sempre. A princípio concordei, mas aos poucos minha consciência começa a atordoar-me, não sei por quanto tempo conseguirei esconder a verdade."

Molosso Gaal guardou para si o segredo durante anos. Enquanto isso Laponiel crescia e se tornava um grande amigo de Molosso. Gaal, por sua vez, instruía Laponiel nos seus sábios escritos e ao mesmo tempo ensinava lições práticas sobre honestidade, humildade e justiça. Laponiel seguia seu sábio e melhor amigo e portanto tratava os menos favorecidos com brandura consolando-os e prestando-lhes ajuda, também tinha por costume inspecionar os coletores de impostos pois odiava todo e qualquer abuso, e principalmente aprofundava-se nos escritos trophanos mas era mais fascinado pelos escritos de Molosso. Gonquer estava portanto convencido de que seu filho era o herdeiro ideal, e visto que Trophir prosperava cada vez mais, graças ao apoio e interesse de Laponiel, Gonquer convencia-se de que nada podia dar de errado em sua vida e que seus severos erros nunca seriam desenterrados, estavam esquecidos para sempre. Todo dia, como costumeiramente fazia, Laponiel Sezano acordava e gostava de começar o dia lendo com Molosso Gaal nos seus aposentos. Mas nesse dia, Gaal havia saído para uma conferência de última hora com todos os Filósofos trophanos. Laponiel decidiu então levar um dos escritos do grande Filósofo consigo para ler nos seus aposentos reais, entretanto aquele era o pergaminho que continha o segredo da morte de Rublis Memboa, sua mãe. A verdade lhe foi então revelada. Naquele mesmo instante em que leu começou a crescer dentro de si a raiva que o transformou no perverso e desordeiro trophano que foi se tornando aos poucos. Com o tempo Laponiel passou a sentir nojo de ser filho de um pai mentiroso que enganou-o durante muitos anos com boatos falsos de que como sua mãe havia morrido. Então começou a odiar a todos à sua volta pois negava-se ser trophano, povo de um rei assassino.

Gonquer Zá-Sezano foi quem plantou a rebelião no coração seu filho. Por ocultar-lhe a verdade transformou Laponiel no perverso trophano que se tornou. Nunca mais se casou novamente, tentando prestar sincera homenagem a sua querida esposa. Passou então a demonstrar afeto e carinho muito grande para com Laponiel, mas este estava decidido a nunca perdoa-lo. A princípio Gonquer era um pai controlado, pois amava profundamente seu filho mas o punía quando necessário, tentando torná-lo algo que ele próprio nunca foi. Mas aos poucos foi perdendo o poder de disciplina que tentava repassar à Laponiel. Logo, tornou-se tão mesquinho que nem dava mais atenção aos interesses e necessidades de seu povo, para ele existia apenas Laponiel. E já que não conseguia mais influenciar seu filho pela própria vontade deste, tentou fazê-lo contra sua própria vontade colocando-o nos duros treinamentos ao qual estava sujeito à mercê da poderosa influência dos Filósofos de Tronédia. Mesmo assim de nada adiantara aqueles oito duros anos de ensinamentos filosofais. Na verdade foi justamente o contrário, Laponiel é que influenciou os Filósofos colocando-os contra o rei. Estes o ajudaram a realizar seu sujo e impiedoso plano: conseguir ficar a sós com Gonquer Zá-Sezano para que Laponiel pudesse matá-lo e tomar rapidamente seu lugar no trono, e assim exterminaria a impura e corrupta raça dos trophanos onde somente prevaleceriam seus seguidores, os rumenumos.

Laponiel Sezano não conseguiu matar seu pai. Mesmo quando teve a chance, puxou a espada de seu próprio pai e o feriu no quadril, para que assim Gonquer sentisse na carne como foi doloroso para ele saber da impiedosa morte que teve sua mãe, Rublis Memboa. Laponiel não sabia mas aquele golpe deixaria seu pai coxo para o resto da vida. Gonquer Zá-Sezano sofreu então amargurado até o fim de seus dias.